Café registra alta recorde de preço e pesa no bolso do consumidor

Em poucos meses, o quilo do café passou de cerca de R$30 para mais de R$60. Fatores como clima adverso, demanda externa aquecida e custos internos explicam o movimento, segundo dados de abril de 2025.

4/28/20252 min ler

Introdução

O café no Brasil alcançou em 2025 níveis de preço nunca vistos. Em março, o quilo do café torrado e moído atingiu R$ 64,80 em média, quase o dobro do valor registrado em abril de 2024 (R$ 29,18). Esse salto representa alta de 77,78% em 12 meses, refletindo uma combinação de fatores. De fato, o IPCA de março apurou alta de 8,14% só no café moído, mostrando que o consumidor sentiu diretamente a pressão dos reajustes.

Principais causas da alta

  • Condições climáticas e safra: Eventos adversos atingiram a produção nacional. Em 2024, geadas no Cerrado Mineiro e na Alta Mogiana (regiões tradicionais de arábica em Minas Gerais e São Paulo) prejudicaram lavouras e elevaram as cotações no mercado futuro. Relatórios da Conab apontam que, de 2024 para 2025, houve queda de 1,6% na área plantada de arábica, 11% na produtividade e 12,4% na produção, em grande parte atribuída a esses extremos climáticos. Assim, a colheita de café de 2025 no Brasil foi estimada em apenas 51,8 milhões de sacas, 4,4% abaixo de 2024. Com oferta nacional menor, a pressão de alta sobre o preço se intensifica.

  • Demanda externa e exportações: A procura mundial permanece forte, sustentando preços internacionais altos. Nos primeiros três meses de 2025 o Brasil exportou 10,707 milhões de sacas de café, volume 11,3% inferior ao mesmo período do ano passado, mas com receita de US$ 3,887 bilhões (alta de 54,3%). Em março, mesmo com exportações 24,9% menores que em 2024, o país arrecadou US$ 1,321 bilhão no setor (alta de 41,8%) - indício de cotações externas elevadas. O Índice de Preços da Organização Mundial do Café mostrou que os valores em dólar subiram 75,8% em janeiro de 2025 na comparação com 2024. Esse cenário global faz com que parte significativa do grão produzido seja vendida lá fora, reduzindo o que fica disponível no mercado doméstico e mantendo os preços locais em patamares elevados.

  • Câmbio e custos internos: Fatores domésticos também influenciam o repasse da alta. Os insumos agrícolas — fertilizantes, defensivos e energia — ficaram muito mais caros, fazendo o custo de produzir café quase dobrar de um ano para outro Em março de 2025 houve até uma leve valorização do real (queda do dólar), o que ajudou a conter parte do reajuste, mas esse alívio foi insuficiente. No fim, os acréscimos de custo e a inflação geral elevaram ainda mais o preço final: por exemplo, o IPCA-15 (inflação acumulada em abril) registrou alta de 6,73% no café moído em apenas um mês.

Conclusão

Em suma, a conjunção de menor oferta e forte demanda indica que o preço do café deve continuar alto até pelo menos o próximo ciclo de colheita. O presidente da Abic afirma que só haverá alívio a partir de 2026, quando se espera uma safra maior no Brasil. No curto prazo, cabe ao consumidor se preparar para valores do café historicamente altos, frutos dos fatores descritos acima.

Fontes: